domingo, 17 de janeiro de 2016

A menina da caixa

Havia muito aquela pequenina menina já não existia mais. Mas as pessoas que a queriam bem não conseguiam aceitar e por isso providenciaram uma forma de mante-lá conservada, do mesmo jeitinho que era antes de ir embora. A guardavam dentro de uma caixa muito bonito e decorada (muito mais alegre do que realmente deveria ser) e a arrastavam pra onde quer que fosse. Às vezes a sacudiam, na esperança de ainda ter-lhe sobrado alguma vida. Os olhos permaneciam fechados, fundos. O rosto, igualmente fundo, continuava frio e imóvel. Os lábios, que um dia foram morada de sorrisos inimagináveis de alegria, agora eram só uma linha reta, fechada. As mãos,  colocadas uma sobre a outra, ainda eram pequenas, mas muito,  muito magras. Aquelas pequeninas mãos que um dia fizeram movimentos que encantaram tanto. Agora o único encanto que há está na caixa, muito bonita, cheia de flores e cores alegres. Parecia loucura. Mas aquelas pessoas simplesmente não conseguiam aceitar. Aquela caixa estava vazia. Aquele corpo estava vazio. E a alma daquela menina que um dia fora tão alegre e bonita, pairava por algum lugar, a procura de abrigo ou talvez a procura de seu pequenino corpo. Mas não encontrava nada. A abandonaram e não apareceu ninguém para explicar o que havia acontecido. Então aquela alma continuou sua busca incansável por algo que nem ela mesma sabia o que era.

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