sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Vazio

Enquanto ainda é hoje há tempo.
Há tempo de dizer.
Você foi e eu fiquei.
Eu fiquei.
Coube só a você ir.
Assim como cabe só a mim permanecer.
E até aqui eu permaneci.
Mas você foi.
Sem me olhar.
Sem dizer até logo.
Você foi.
Simplesmente foi.
Não pensou, não olhou, não chorou, não sorriu, não me viu.
Apenas foi.
E eu fiquei aqui.
Mas agora eu vou.
Vou vazia.
Vazia de você,  mas principalmente vazia de mim.
E não vou olhar pra trás.
Não vou olhar pra mim, assim como você não olhou.
Não vou olhar pro meu coração.
Não vou ouvir.
Eu vou.
Vazia.
Mas vou.

Espaço

Tudo é uma questão de.
Tudo é uma questão.
Tudo é uma.
Tudo é.
Tudo.
E no meio de tudo o espaço fica invisível.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Um dia após o outro

"Pra começar
Cada coisa em seu lugar
E nada como um dia após o outro

Por que apressar?
Se nem sabe onde chegar
Correr em vão se o caminho é longo

Quem se soltar, da vida vai gostar
E a vida vai gostar de volta em dobro

E se tropeçar
Do chão não vai passar
Quem sete vezes cai, levanta oito

Quem julga saber
E esquece de aprender
Coitado de quem se interessa pouco

E quando chorar
Tristeza pra lavar
Num ombro cai metade do sufoco

O novo virá
Pra re-harmonizar
A terra, o ar, água e o fogo

E sem se queixar
As peças vão voltar
Pra mesma caixa no final do jogo

Pode esperar
O tempo nos dirá
Que nada como um dia após o outro

O tempo dirá
O tempo é que dirá
E nada como um dia apos o outro"

Tiago Iorc

Montanha russa

Inconstância sempre me incomodou. Por isso acho que fui constante demais. Equilibrada demais. Forte demais. Confiante demais. E agora eu observo minha descida aqui do alto dessa montana russa em câmera lenta. Quando chego embaixo, e o carrinho corre pra subir de novo, logo vem outra descida. E aí vem aquele arrependimento por ter aceitado brincar. Aquele frio na barriga interminável. Não um frio bom. E sim um frio que congela. Montanhas russas não são brinquedos tão divertidos assim, no fim das contas. Acabei virando gelo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A indiferença é pior que a raiva.
O silêncio é pior do que palavras que machucam.
Não representar mais nada é como não existir.
Ela não existe mais.
Morreu há um tempo atrás.
E agora desapareceu das lembranças.
Quando você sai sem rumo
Quando a chuva te derrete
Quando o álcool te enobrece
Quando as consequências já não tem tanta importância
Dirigir sem destino
Beber sem porque
Rir por chorar
Ser sem você
Morrer por saber.

domingo, 17 de janeiro de 2016

A menina da caixa

Havia muito aquela pequenina menina já não existia mais. Mas as pessoas que a queriam bem não conseguiam aceitar e por isso providenciaram uma forma de mante-lá conservada, do mesmo jeitinho que era antes de ir embora. A guardavam dentro de uma caixa muito bonito e decorada (muito mais alegre do que realmente deveria ser) e a arrastavam pra onde quer que fosse. Às vezes a sacudiam, na esperança de ainda ter-lhe sobrado alguma vida. Os olhos permaneciam fechados, fundos. O rosto, igualmente fundo, continuava frio e imóvel. Os lábios, que um dia foram morada de sorrisos inimagináveis de alegria, agora eram só uma linha reta, fechada. As mãos,  colocadas uma sobre a outra, ainda eram pequenas, mas muito,  muito magras. Aquelas pequeninas mãos que um dia fizeram movimentos que encantaram tanto. Agora o único encanto que há está na caixa, muito bonita, cheia de flores e cores alegres. Parecia loucura. Mas aquelas pessoas simplesmente não conseguiam aceitar. Aquela caixa estava vazia. Aquele corpo estava vazio. E a alma daquela menina que um dia fora tão alegre e bonita, pairava por algum lugar, a procura de abrigo ou talvez a procura de seu pequenino corpo. Mas não encontrava nada. A abandonaram e não apareceu ninguém para explicar o que havia acontecido. Então aquela alma continuou sua busca incansável por algo que nem ela mesma sabia o que era.

sábado, 16 de janeiro de 2016

"Seu cabelo está tão pouquinho"
"Suas mãos estão tão magrinhas"
"Seu rosto está tão fininho"
"Olha, você tá sumindo"
E de inho em inho eu vou indo e indo.
E a última vela se apagou.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Disposição

De acordo com o dicionário esta palavra tem alguns muitos significados, dentre eles: é uma condição física ou espiritual; uma tendência natural que leva alguém a fazer alguma coisa; vontade.
E este é ponto. Estar disposto à. Querer estar disposto à. Ter vontade de estar disposto à. À que?
Você sabe. Eu sei. Mudanças? Qualquer uma. Para o que der e vier, escrevi e disse uma vez. Não tenho dúvidas. Mas só uma certeza, estou à disposição de ser a sua e a minha mudança. De ser sua em mim.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Já fui pedra
Fui mármore
Já fui vidro
Fui feita
Já fui luz
Fui estrela
Já fui Lua
Fui seu rumo
Agora sou chuva
Areia fina molhada.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Bem

Ultimamente muitos me perguntam como estou. E eu estou mentirosa, pra não dizer a verdade. "Bem", eu tenho respondido quase sempre. E então posso dar por encerrado o assunto e guardar só pra mim a verdade. Estou bem. Repito pra mim todos os dias. Estou bem. Vou ficar bem. Quero ficar bem. Preciso estar bem.
Mas a verdade é um pouco indelicada. "Bem" pode significar tantas coisas... mas a última coisa que estou é bem em seu sentido estrito. Então se é pra ser indelicada e verdadeira: não me pergunte isso, porque você não vai gostar da resposta. Por quê? Porque eu estou uma merda! Porque eu sumi! Porque eu nunca mais existi em mim. Porque meus olhos doem tanto, que preciso mante-los fechados o maior tempo possível. Porque estou sem forças. Porque ficar em lugares muito cheios me irrita. E ficar sozinha me angustia. Porque eu não sei onde me encontrar e quando olho um retrato antigo e depois me olho no espelho, sinto minha vida indo embora. É assim que eu estou, se você quer realmente saber. Então não me pergunte, pois sou uma pessoa educada e não quero perder a compostura. Estou bem.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Zero

Começar do zero. Começar de novo. Começar. Construir do quase nada, mas sob a base mais sólida que já existiu. Aquela que tudo suporta, que tudo espera, que tudo perdoa. Aquela que só nós conhecemos e sabemos a dimensão. Começar. Começar com pouco. Ou com nada. Mas (re)começar. De um quarto a uma sala. De uma sala a uma cozinha. De uma cozinha a uma família. Construir. Aos poucos. Redesenhar e redescobrir. Colorir o futuro. Colorir com tudo que construirmos. Do zero ao tudo. Do amor ao infinito.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Te transformo em letra
Em rabisco
Em poema
Em chuvisco
Te transformo em canção
Em perdão
No meu coração
Te transformo até numa rima sem graça
Pra você achar graça
E transformar meu sorriso
Dizendo "eu fico".

sábado, 2 de janeiro de 2016

Abraço

A calma
Na alma
Na cama
Da dama
No abraço
Naqueles braços
No momento
No pensamento
Que o fim
Nunca esteve ali.