sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O dia que morri pra você

Eu morri em mim.
Morri mais um pouquinho.
Só mais um pouquinho do que tenho morrido todos os dias.
E você renasceu em cima do meu túmulo.
Me jogou flores que eu não consegui pegar.
Flores sem perfume, pois não consegui sentir.
Estou aqui. Observando tudo de baixo. Tentando me agarrar às raízes das flores que você me deu e que já brotaram por aqui.
Mas parece mesmo que elas não têm perfume.


domingo, 20 de dezembro de 2015

Hoje acordei tão assustada
Achei ter esquecido o som
Aquele som da sua voz
Apertei os olhos com força
Tenho esquecido tantas coisas ultimamente
Apertei com mais força
Ouvi.
Não, distante demais.
Quero ouvir perto
Tão perto...
Vem pra perto de mim e me deixa ouvir sem esforço
Meus olhos já estão cansados.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Limite

Estou num ponto. No fim da linha. No último degrau. No último caminho. No último suspiro. E cheguei até aqui sozinha. Eu me trouxe. Segurei a minha mão e me guiei até esse lugar seguro. Seguro?
Eu sempre acreditei que sim. Mas segurança é algo tão relativo. E o lugar seguro que eu construí, meu lugar de silêncio, se tornou um poço e estou caindo sem corda. Por que eu quis. Quis me jogar. A água lá no fundo parecia tão limpa e transparente. Mas esqueci que não sei nadar. E acreditei que poderia me jogar e nadar sozinha por toda essa água limpa, que de perto nem está tão limpa assim. E eu nem gritei ao perceber que a água enchia meus pulmões. Nem tentei. Nem me debati. Por que eu ainda acreditei que poderia me salvar sozinha, mesmo sem saber nadar. E esse é o limite.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Não se reconhecer.
Não se enxergar.
Não se amar.
Não te reconhecer no meu desconhecimento.
Não te enxergar na minha escuridão.
Mas te amar no meu desamor.
E o que sobra é o que minhas memórias ainda não apagaram.