domingo, 11 de agosto de 2013

Cores e caretas

Em meio às suas caretas consigo enxergar o meu sorriso. É a minha parte preferida. Dormir tarde, acordar ao nascer do Sol, correr para tomar um banho num tempo frio e isso ser divertido. Ser a parte mais divertida do dia. De careta em careta, vestir e trocar pelo menos duas peças de roupa por manhã, ficar em dúvida entre o scarpin bege e o preto, passar o batom três vezes, já que nas duas primeiras ele acabou colorindo a minha outra boca. Ter que calçar os sapatos no caminho pro carro, porque gastei os minutos que deveria calça-los distraída com as suas (belas) caretas. Já no carro, sinto o coração encolher um pouquinho. É a saudade de ver as suas caretas tentando me fazer ficar. Mas não. Sou forte. Volta e meia quero voltar. Sigo no trânsito, distraída com as luzes vermelhas dos carros apressados e atrasados. E já volto a me lembrar das cores das nossas noites e manhãs e, algumas vezes, tardes. Quero voltar. Mas não. Sou forte. No estacionamento, procuro uma vaga qualquer, mas que seja próxima o suficiente para não tardar ainda mais o meu retorno. Quero logo voltar. No elevador, quando seleciono o andar, percebo que é o mesmo número de anos que vivo querendo voltar.
Naquele dia, quando olhei o seu olhar e nele me vi, percebi que era para lá que eu queria voltar. E ficar.
Em meio às suas caretas, o cansaço e mal humor de fim de tarde e início de noite de uma quarta-feira cinza-cor-de-chuva se escondem embaixo da cama, já prevendo que, em meio à tantas caretas, eles serão expulsos à ponta-pés e um pouco de chá, que mal algum fará. Não preciso mais ser forte. Suas caretas são como cosquinhas à minha alma. Já posso me entregar às gargalhadas e cores de mais uma noite mal (muito bem) dormida.




Um comentário:

Julianna Motter disse...

Se nunca antes dito,
agora sim:
às vezes, uma careta
é melhor que um sorriso.
Pois é o tipo de coisa
que não se dá pra
qualquer um!