segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Apaixona-se por mim.

Não um amor de mesa posta, talheres de prata, toalha de renda, não um amor de terça-feira, água morna, gaveta arrumada. Apaixone-se por mim no meio de uma tarde de chuva, rua alagada, rosas na mão, um amor faminto, urgente, latejante, um amor de carne, sangue e vazantes, um amor inadiável de perder o rumo o prumo e o norte, me ame um amor de morte. Não me dê um amor adestrado que senta, deita, rola e finge de morto, que late, lambe e dorme. Apaixone-se felino, sorrateiramente e assim que eu me distrair, me crave os dentes, as unhas, role comigo e perca-se em mim e seja tão grande a ponto de me deixar perder. Ame minhas curvas, minha vulva, minha carne, me fecunde e se espalhe por meus versos, meus reversos, meus entalhes. Faça eu me sentir amada, desejada, glorificada em corpo e espírito que eu nunca soube o que é ser de alguém, mas preciso que me ensines, que me fales, que me cales, amém.
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Patrícia Antoniete.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Não consegue ouvir seus próprios pensamentos e nem entender onde está o erro. Talvez continue consigo, acompanhado-a a cada esquina. Não sabe. Não encontra. Não vê, não diz e não escuta o que deveria. O comportamento infantil e egoísta continua. Não por fazer parte dela, e sim por que faz parte da fuga. Do que? De onde? E pra onde? Pra quem adora responder, é quase cômico.
Quando alguém tem tudo o que poderia desejar e ainda encontra uma forma para tornar as coisas difíceis, não merece ter um terço do que tem. Ela não merece e sabe disso. Mas o egoísmo é tamanho, que prefere continuar. Prefere se acomodar. E aceitar. Mesmo não entendendo. Mesmo não encontrando. E quando tudo vai bem, surge um beco perto da esquina. E a confusão é tamanha, que todos os seus sentidos perdem vitalidade e ela simplesmente não consegue decidir por onde seguir, mesmo percebendo que o beco é escuro e com um muro no lugar da saída. E todos chamam sua atenção pra rua iluminada que vem logo após a esquina, mas ela não quer ouvir, não quer ver. Por quê?
O erro e o egoísmo estão dentro dela. Tomando conta de cada pedacinho vazio e cada canto ainda lúcido e inteligente. E a rua vai ficar cada vez mais distante e o beco cada vez mais escuro.
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'...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. ' [C. Lispector]