quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Assim Nasce O Novo, Oculto, Vívido e Ótimo ANO NOVO.


"Mundo moderno, melhore!" Morra, maluco mundo meu: modesto, magro e minguado mundo. Mesma merda: monótona, midiática, moribunda. Mantendo manuscrita minha manifestação melindrosa, medrosa, mas muito marcante. Modinhas, merchandising, mudanças mal modeladas... Momentos maquiados moldam mini meninas mirradas, miúdas. Mudas. Mormente mortas. Mundo mal!
Cai, coração! Corte cálido, condensado, certeiro com cara corada... Como começo comparado com cachorros corroídos, caídos... Comidos, cuspidos, colocados com calma... Covas circenses cinzas. Cansado corro; competente, contudo cego. Cerceio carregar carnificinas, creio convicto... Claras condições... Clara chatice: ceia, carnaval, cédulas cortadas, choro. Cupidos capciosos, caolhos; cercam corações... Comemoram casais companheiros! Capitalismo, crueldades... Como corre colateralmente caótico!
Aberração aliada a amores acabados... Atrelados aos altos anseios, ascos áureos. Anônimos astutos animam algazarras. Algozes alertas adiam alívios. Armas, antenas, atos. Ano alinhado? Algo alteroso, almejado. Almoços aguardados aninham alto-astral, alucinam aos amantes, amigos. Ademais, avisto algo alvoroçado... Amor? Ameaça ambulante. Ano amado, achegue-se! Apenas abandone aí as amarguras.
Nortes normais... Nada no nosso ninho nanico. Nódoa, neblina e névoa nascendo nas não nanquinadas nuvens. Navegantes numa notória não notada nova narrativa. Narcóticos... notável nojo nacional. Nádegas nédias, nuas nos novos negócios. Números naturais, naturalismo. Náuseas, necedade, necessidade, negações, nãos. Notas nutrem nerds. Nefasta necrose numa nova notícia, nazismo, neonazismo. Nada nos nuncia novas. Nunca.
Dias duros, demolidores... Demonstrando discplicência doada de dois deuses denominados 'desprezo', 'desgraça'. Doendo da dessidiosa desistência de degladiar, deblaterar... Dias dos dias derrotar diferenças, dinamismos, dedões dados... Dominação desnecessária!
Glamour... Glória... Gemidos gritados e grunhidos gélidos grudam gradualmente. Ganham goma, giram, geram gerações gastas, gestações grosseiras: grande gravidade. Gravuras greco-romanas germinadas geometricamente. Garotos, garotas... Gente gananciosa, gangrenada! Governadores garimpam gáurios.
Amor... Essência... Igualdade... Opulência... Única coisa que eu quero no ano novo: Felicidade, festa, formidáveis favores, frívolos fatos formando-me, fazendo-me folgar feitos ficados.Quero amar e ser amado.


[Poema baseado na idéia original do monólogo do grande Chico Anysio "Mundo moderno, melhore!", onde todas as palavras começam com M.]


Por Daniel Sathierf.

domingo, 6 de setembro de 2009


só hoje eu senti realmente o quanto foi dolorido e constrangedor quando eu tive que disfarçar e mudar de assunto ao me perguntarem: por que você está sozinha no dia do seu aniversário? cadê a sua fiel companhia?
eu não pude responder, porque eu não podia me ouvir responder. eu nem ao menos sabia onde ela estava e muito menos porque não estava comigo (onde ela estaria se as coisas ainda fossem como antes). e eu senti vergonha por estar sozinha, vergonha por sempre estar sozinha quando não tenho a minha “fiel companhia” por perto, que nem é tão fiel assim. talvez eu soubesse onde ela estava e porque não estava comigo. acho que eu só não queria acreditar que fosse possível ela, logo ela, me deixar num dia como aquele. não que fosse incomum, porque já aconteceu antes. outras pessoas importantes pra mim também já me deixaram em dias especiais. mas não ela. ela sempre esteve comigo. ela sempre esteve comigo nos momentos mais importantes da minha vida. mas dessa vez foi diferente e eu só consegui entender hoje.
eu não pude responder o motivo de estar sozinha porque é mais fácil mentir pra si mesmo do que aceitar a realidade. a realidade que vem dando socos no meu rosto há muito tempo e eu tenho ignorado de forma tão estúpida. fico insistindo que as coisas não são como realmente são. que eu ainda tenho um lugar lá, quando só o que eu tenho é a consideração (que eu já nem sei se é tanta assim).
no fim das contas, eu não fiquei sozinha e consegui não me sentir sozinha por algumas horas. consegui não sentir falta e não me lembrar do que eu não queria por algumas horas. porque eu estive com pessoas que se importaram comigo o suficiente pra não deixar meu dia passar em branco e eu fiquei feliz por isso. fiquei feliz por perceber que existem outras pessoas no mundo e que eu não preciso ficar sozinha e que se eu ficar, a culpa é única e exclusivamente minha.
só que hoje, essas horas acabaram e o desejo que eu fiz quando me fizeram enfiar o dedo no meio bolo e fazer um pedido já não faz mais sentido algum.

eu ainda queria que você estivesse do meu lado e pudesse ter compartilhado dos momentos felizes comigo. mas eu sei que isso não é mais possível e não vai mais ser como era antes. e talvez um dia eu consiga parar de ignorar as coisas e entender o que está acontecendo ou o que aconteceu.

domingo, 23 de agosto de 2009

Pra onde eu fui? Aonde me esconderam?

domingo, 16 de agosto de 2009

Nós vamos nos perder.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

e de tudo, isso é o que mais parte meu coração. ser egoísta a ponto de partir o coração de quem eu gosto.

domingo, 10 de maio de 2009

Algumas coisas não saem da forma como nós planejamos, mas talvez seja para que, no fim, o resultado seja melhor. Quero acreditar nisso. Ou deixar de planejar tudo.

"Uma coisa eu sei sobre os começos. Os fins estão sempre lá. Uma coisa eu sei sobre os fins. Não
há nada nos começos que os impeça a chegada. E as linhas vão trocando cores inevitáveis. "
'voulais tout d'être de retour comme avant'

domingo, 3 de maio de 2009

O imperador e eu


Recentemente acompanhamos o caso do jogador brasileiro Adriano, que responde pela alcunha de “Imperador”, que decidiu parar indeterminadamente sua carreira como futebolista. Adriano declarou, na mais calma das calmas, que estaria parando por se sentir infeliz na Itália, onde joga desde os 18 anos (excetuando-se o período em que retornou ao Brasil e jogou no São Paulo). Declarou ainda que isso foi pensado e pediu desculpas, eximindo-se de qualquer atrito com o clube italiano.
O ato de Adriano foi incomum e totalmente alheio à aparente lógica que qualquer ser humano seguiria. Com um salário milionário, poder, prestígio, fama, mulheres, carros, casas, mídia, e tudo mais que todo esse contexto pode proporcionar, o Imperador parou sua carreira pelo simples fato de não se sentir feliz com tudo isso. Confessou que esse ritmo impõe uma pressão muito grande, que essa vida exige demais do homem, e que ele se sente realmente feliz de camiseta e chinelos vivendo em sua comunidade no Rio de Janeiro.
Sim, pode parecer uma aberração, todos os comentários que eu ouvi a respeito disso foram “nossa, se ele não quer, eu quero”, “nossa, como ele é burro”, “nossa, eu quero ser infeliz ganhando o que ele ganha”. Mas o ato de Adriano me levou a uma reflexão profunda acerca de todo esse ciclo chamado de “felicidade”. Mais que isso, percebi que a minha vida e a do Imperador, embora em escalas totalmente díspares, tomaram, de certa forma, o mesmo rumo e o mesmo traçado (permita-me, caro leitor, compartilhá-las contigo).
Adriano sonhava em ser jogador de futebol desde cedo, segundo ele “eu me espelhava em grandes jogadores”. Lutou, batalhou, enfrentou todas as dificuldades e simplesmente explodiu sua carreira. Ainda com tenra idade já era um cara famoso, relativamente rico e conhecido. Eu, conforme uma providencial instrução, desde cedo (14, 15 anos) sonhava em ser servidor público. Me deliciava com os exemplos de pessoas que tinham uma vida “perfeita”, uma condição financeira e social totalmente estável. Perdi a conta de quantas vezes acordei no meio da madrugada pra ler institutos como a Lei 8112/1990, Constituição Federal. Sonhava (às vezes até acordado) e projetava mentalmente algumas cenas, como comprar roupas com meu dinheiro, ser prestigiado por ser uma pessoa inteligente e ter um bom emprego. Enfim, eu via o lado bom da coisa, e isso me motivava a seguir sempre em frente.
Adriano tomou uma decisão difícil com uma idade pequena – foi morar em uma terra estranha, com pessoas estranhas, com uma cultura estranha. Isso é um choque muito mais abrupto que pode parecer. Simplesmente em algumas horas você está muito longe do seu país, das pessoas que você ama, dos seus amigos, da sua casa, e o que você vê é um mar de pessoas que você nunca viu gritando o seu nome, pedindo fotos, autógrafos. Mais que isso, você se torna um ídolo aclamado e a rapidez com que isso ocorre é algo verdadeiramente impressionante. Eu, em minha reles trajetória vitalícia, também tomei uma decisão incomum e por muitos considerada equivocada: terminei o ensino médio e parei toda a minha vida somente para me dedicar a concursos públicos. Não foi fácil, pois a maioria das pessoas me orientava a largar isso e fazer uma faculdade (o caminho que normalmente é seguido pelos jovens recém-concluintes do segundo grau). Mas as “luzes” de me tornar um servidor público me faziam acelerar progressivamente meus estudos e meu sonho era cada vez mais vívido em meu coração. O fato da proximidade do dinheiro, do prestígio e da “felicidade” me faziam dedicar tempo, suor, paciência e tudo mais que eu pudesse aos estudos concurseiros. E assim eu seguia.
Adriano se tornou um ídolo e realizou o seu sonho pessoal: agora era um jogador conhecido, idolatrado, adorado e competente. Lembro-me da final de um torneio internacional (salvo engano, a Copa América em 2004), em que o clássico “Brasil X Argentina” era o centro das atenções, e los hermanos estavam ganhando o jogo, até que o Imperador fez dois gols, levou a decisão para os pênaltis e a Seleção Canarinho faturou o título. Adriano havia sim se tornado um ídolo brasileiro, e isso com certeza foi mais um marco em sua carreira, agora era sim um astro internacional, mas principalmente nacional. Eu também realizei meu sonho: consegui a tão sonhada aprovação em um concurso público. Concluí todas as fases e assumi o cargo (sim, fui para um lugar muito bom e com um salário relativamente perfeito para uma pessoa nova e sem tantas responsabilidades). Mais que isso, as cenas que antes eram mentalmente projetadas agora estavam ali, reais, e na minha frente. Pude realizar o sonho de comprar roupas, pude realizar o sonho de comprar lanches, pude realizar o sonho de comprar um violão elétrico, pude realizar o sonho de sair com uma garota pra um lugar caro e poder pagar a conta. Sou prestigiado, “aclamado”, as pessoas agora se espelham em mim. Enfim, eu havia conquistado a (até então na mina concepção) felicidade.
Adriano, entretanto, decepcionou-se com algumas entrelinhas da sua felicidade. Luzes demais, flashes demais, gritos demais, fama demais, talvez até dinheiro demais. O ritmo louco e constante de treinos, jogos, viagens, fusos horários, além da distância, de toda uma política externa de concordância com regras, de direcionamento forçado de vida, fizeram com que Adriano perdesse o gosto e o brilho pela felicidade outrora idealizada. A pressão por bons resultados e a condição senóide de “ídolo X vilão” desencadearam uma perceptível repulsão no Imperador. Até eu, que nunca o vi pessoalmente e que tampouco acompanho fielmente o mundo futebolístico, pude perceber que aquilo ali já era demais para o homem Adriano. O jogador Adriano ainda era o mesmo, forte, vigoroso. O humano Adriano era, contudo, infeliz e totalmente desacreditado com aquela vida. O desembocar mais salutar e o alcance inesperado (ou não) do estopim? A interrupção da carreira meteórica. Eu, quando cheguei ao serviço público, estava com aquele espírito de fazer a diferença, de valorizar meu trabalho e tentar, até onde a minha alçada permitir, fazer alguma coisa de útil para a res publica. Para meu total desencanto com tudo aquilo que eu sonhei durante aproximadamente três anos, o Estado não é o céu. O servidor não é valorizado, as chefias são dispersas e indolentes, as autoridades são (ou se fazem de) cegas. Salários congelados (não falo isso por mim, mas pelos milhares que estão há muito mais tempo que eu), condições precárias, falta de suporte básico, desorganização antológica, falta de compromisso, falta de espírito de equipe... Além de tantos outros problemas que eu vi nesses apenas 6 meses de serviço público. Esse choque me desencantou, o problema é antigo e vem se perpetuando há muito. Além disso, me desencantei parcialmente também com a faculdade de Direito: não é a carreira que eu seguiria primeiramente. E a coisa mais assustadora que eu percebi nesse pouco tempo de “realizações” é que eu me vi só quase todo o tempo. Sim, eu tinha dinheiro, prestígio, as pessoas me respeitavam e me elevavam. Sem falsas modéstias ou ufanismo, as meninas me idolatravam em meus círculos sociais – “o garoto dos sonhos: bonito e bem de vida”. As pessoas passaram a me respeitar (numa lógica maquiavélica e marxista) pelo que eu tinha, e não pelo que eu era, me elogiavam por eu ser servidor público (e não por eu ser o Daniel). Mas lá no fundo eu me sentia sozinho, sem nada e sem ninguém realmente que gostasse de MIM – com ou sem emprego e status. Até o dia em que eu conheci a pessoa que veio a mudar tudo isso, e me fez sentir algo impressionante: ela gosta de mim de verdade, não só do meu cartão de crédito. E o que ela tem a ver com isso tudo? Ela me fez tomar uma decisão muito difícil e arriscada, mas que me fez ver que é a melhor decisão pra mim e para a minha felicidade.
O Imperador Adriano agora é simplesmente Adriano e está feliz com isso. Eu o entendo muito bem quando ele, diante do mundo, renuncia o dinheiro e a fama. Adriano nos provou, com a mais sábia das atitudes, que a máxima “dinheiro não traz felicidade” é verdadeira. A decisão que ela me fez tomar mais uma vez une a minha vida com a do (ex) Imperador: prefiro buscar algo que realmente me faz feliz e ser feliz do que ganhar o tal dinheiro, ser “bem visto” pela sociedade, e morrer por dentro aos poucos. Revisto-me da convicção e da filosofia de vida do Imperador e declaro a quem quiser ouvir: vou correr atrás da minha verdadeira felicidade. E vamos ver no que vai dar...



Ele pediu, eu coloquei.
Por Daniel Sathierf

sábado, 14 de março de 2009

Mon amour...

Eu não sei escrever bonito o suficiente para expressar sentimentos felizes, mas preciso aprender já que, a muito, sensações contrárias não fazem mais parte de mim.
Senti sua falta, meu bem. Senti tanto... Não houve um dia em que meus pensamentos não estivessem voltados para sua imagem, aquela que eu guardo nos meus melhores sonhos. E quanto aos meus sonhos, você nunca esteve fora deles. Você pode não entender, mas eu sei o que mudou, porque mudou em mim.
Eu cheguei a achar que o tesouro estava muito além do fim do nosso arco-íris e que nós não iríamos conseguir chegar até ele. Perdoe-me por ser tão fraca. Às vezes, eu só penso demais. A parte boa é que você nunca desistiria, não é? E isso me encanta. Tudo que vem de você me encanta, me apaixona. Eu sei que sabe, mas preciso que tenha certeza.
Tenho tanto a agradecer. Por me amar, principalmente por me amar. Assim, exatamente como eu preciso e como só você, meu amor, sabe amar. Para você, pode ser que não seja nada demais. Para mim, é a representação do Universo.
Eu não poderia me manter respirando sem seu coração ao meu alcance. Deixe-o comigo e eu prometo que, pela eternidade, ele estará aquecido.
Tu est ma vie, mon cher, ma vie! Joyeux anniversaire à un an et deux mois. Je t' aime!

domingo, 8 de março de 2009


Feliz dia da melhor criação divina!

segunda-feira, 2 de março de 2009

As
Flores
Estão
Murchando.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ávido capricho


Hoje, quando o sol se pôr e as estrelas surgirem, eu vou chegar ao fim da estrada e deitar sob o céu brilhante para sonhar os meus sonhos (tão coloridos quanto o som embriagado da tua voz). Quando a ultima estrela brilhar, vou sonhar acordada e contempla-la junto a você. Quero fazer meu pedido (mesmo não sendo cadente). Vamos, você também pode ter um, não seja tão má. Segure a minha mão e deseje (mas me inclua no seu desejo para que o meu se realize). Hoje você pode ser boazinha, prometo não pedir nada em troca. Só que não solte minha mão. Você pode fazer isso? Eu te ajudo, prometo não soltar. É que eu também prefiro a delicadeza das rosas.
Por falar em pétalas...Você deve se recordar daquela rosa. Eu ainda tenho. Guardei dentro de um desses livros estilo Aurélio-gigante. Eu também ainda tenho alguns deles por aqui, mas estão só cheios de folhas. Sem rosas. Você entende o que quero dizer?
Não tem problema se não puder entender, meu bem. Eu sou aquela que faz pedido para estrelas não-cadentes. Talvez você não tenha me incluído no seu desejo. Ou talvez eu não possa ser incluída nele. Ainda assim não tem problema, porque eu continuo sendo aquela que prefere a delicadeza (daquela rosa) e as estrelas não-cadentes.
Continue tentando. Eu prometi não soltar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A chuva é ácida quando caída da nuvem mais clara. Queima a pele. Irrita os olhos. É o que acontece. A chuva é ácida. De verdade.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Quem foi que disse que não existe vida após a morte?


Seu coração voltou a pulsar com tamanha intensidade, que a escuridão que inundava seus olhos a pouco, já não existia mais. No início foi um pouco difícil controlar a força do ar que passava com fúria por seus pulmões. O sangue novamente circulando por cada arteria seca e preenchendo todo seu corpo vazio e frio, o tornando completo e quente. Estava realmente viva. Tão viva quanto estava antes de morrer e foi a melhor escolha que poderia ter feito como ultimo pedido. Um segundo e o mundo voltou a girar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sirenes


Ela sempre teve a sensação de que o céu não era mesmo azul. Ela sabia. Cinza. Ou talvez não. As redundâncias estereotipadas em máscaras hipócritas refletem alegrias dantescas, infernais. Mas isso tudo preso ao infinito inacabado.
Estava escuro lá. E ela tomou banho. Não gostava de certas formas de comparação, sempre gostou do que não lhe chamava atenção. Alegrias infernais. Tudo que ela nunca precisou.
Frio. Vento. Alguns pingos de suor. Olhares vagos ao som de notas tristes e vazias. Horror. A companhia deles era pior do que cem adagas perfurando sua barriga. Nenhuma certeza. Apenas as variações monossilábicas manifestadas em suportes não voluntariosos. Quando ela escutou aquele som familiar, sentiu-se nas nuvens. Não precisaria mais ter medo. E aquele sentimento que estava guardado há tempos, substituiu toda a insegurança. Era assim que ela queria morrer. A morte serviria como uma passagem, uma alameda cheia de verde e de cor. A Terra já não tinha nenhuma atração grandiosa e ostensiva ao ponto de manter seu coração aqui. Seu desejo era apenas sair, lavar sua alma. Não podia mais aguentar tamanha dor e sofrimento: os motivos não mais existiam e a cólera que invadira sua alma era seu norte, seu rumo. Tudo já era nada e apenas um olhar seria o veredicto. Por que foram aqueles olhos que a mantiveram ali por todo o tempo e apenas aqueles olhos poderiam tomar-lhe o vento que soprava em suas veias. Não queria e nunca quis mais nada. Só ansiava pelo olhar. Precisava não sentir mais seu corpo.
A certa hora, quando os olhos deles descansaram em seu próprio sono, ela apanhou sua arma e seu punhal. Caminhou um pouco e olhou para eles pela última vez, como que numa masoquista e intrínseca despedida. Foi até a sala vizinha, pegou a caixa de munições e a colocou em seu bolso. Voltou-se para a sala onde eles, adormecidos (e, pelo menos por um momento, angelicais) e ali, inerte e barbarizada, contemplou-os. Parecia falar-lhes algo através do pensamento, dizer-lhes adeus. Foi até a porta que dava para a escada. Voltou. Sentou-se à mesa e com pressa e avidez escreveu. Delineou palavras outrora não proferidas. Ela sabia que era a última vez que teria a oportunidade de fazê-lo. Após terminado o bilhete, dobrou-o uma vez e colocou embaixo de uma caixinha que estava delicadamente posta sobre a mesinha de centro. Novamente, caminhou até a porta, muito mais hesitante desta vez. Mas não se deixou intimidar, era preciso. Girou a maçaneta, tentando fazer o mínimo barulho possível e na ponta dos pés, saiu, desceu as escadas de forma tranquila, como se não houvesse mais nada que a impedisse. Quando chegou ao ultimo degrau, olhou para trás.
Era a sua fúlgubre despedida. Uma lágrima escapou de seus olhos e ela realmente hesitou em fazer o que pretendia. Subitamente, engoliu o choro e subiu, fechou a porta, sorrateiramente, para que nenhum deles acordasse e percebesse sua ausência. Caminhou até a cozinha, abriu o refrigerador. Pegou duas latas de cerveja, que havia comprado dias atrás e uma barra de chocolate (esta parecia ser premeditada). Atravessou a casa e adentrou seus aposentos.
Fechou a porta, como num ritual lento e minuciosamente planejado. Abriu uma das cervejas, ligou o som (a uma baixa intensidade, quase imperceptível). Ouviu suas três músicas prediletas e terminou de beber a lata que há pouco começara. Desembalou a barra de chocolate e, antes de comê-la, observou-a: um dos seus prazeres que jamais seriam sentidos novamente. Comeu. Abriu a outra lata de cerveja e degustou cada gole como se fosse uma viagem a um ponto distante e estimado do universo.
O último gole foi sentido como um empurrão à realidade. Foi até o seu armário e novamente apanhou bloco e caneta, dessa vez para escrever uma longa carta de despedida. Foram palavras fortes, carregadas, reais e puramente vindas do coração. Terminou seu texto com um verdadeiro ‘obrigado’.
A carta ficou aberta, um pouco amassada em cima da cama. Ela pegou sua arma e a munição, sem mais demora. Retirou dois cartuchos e engatou a escopeta. Antes de atirar, observou os detalhes da ferramenta que a levaria à dimensão tão desejada. Havia uma inscrição um pouco arranhada, datada de 1946 (a arma havia sido adquirida 20 anos atrás por seu avô. Mal sabia ele que ela levaria sua neta a esse trágico – ou heróico – fim). Enfim, ela olhou pro seu corpo, abriu a boca e sentiu a ponta enferrujada da arma tocar seus dentes. Tomou fôlego e atirou.
A luz invadiu o quarto, iluminando cada pedaço esquecido pela noite. Tornando viva a nova cor que enfestava o ambiente. O cheiro de ferrugem e sal embriagava o lugar. A algumas portas longe dali, eles começavam a abrir os olhos. A noite anterior havia sido cansativa, estavam todos exaustos e famintos. Como de costume, caminharam todos até a cozinha. Estava vazia. Olharam para a mesa e os restos da comida do dia anterior ainda estavam lá. Um deles foi até a sala e encontrou um (o) bilhete na mesinha de centro. Tirou a caixinha de cima, deu corda para que pudesse ouvir a música que era tocada cotidianamente por sua irmã no piano que um dia fora de sua mãe. Desdobrou o bilhete, passou os olhos ligeiramente por aquelas palavras. Sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Começaram a procurar como loucos, em todos os cômodos da casa. Mas, lá no fundo, sabiam onde ela estava. O mais velho, com fulcro no papel de ‘autoridade’, abriu a porta do quarto dela, aos poucos, para não assustar os irmãos e não revelar aquela cena horrenda. Pediu a todos que não entrassem no quarto antes de sua ordem. Ao adentrar o recinto, extasiado, vê aquela imagem digna de guerra: sua cabeça desfigurada, muito sangue a escopeta no chão, diagonalmente imóvel. Permaneceu ali, desacreditando – ou não querendo acreditar que ela havia partido. Com uma sabedoria extraordinária ele pede aos irmãos que não entrem no quarto. Pega o telefone e liga para a polícia, para que tomassem as providências cabíveis. Ele explica aos outros que sua irmã viajou – para sempre.
Mais um dia de chuva e os pingos remontam as lembranças dela. Ouça, sinta, viva. Antes que acabe.
Por Daniel Sathierf e Naiane Edriéve.
Você não entende. Eu ouço o tic-tac do relógio de pulso. Tenho medo do escuro. E eu não uso metáforas, eu não sou ambígua. É só isso. Sem mistério. Só Silêncio.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009


Eu me sinto bem confortável quando se preocupam comigo. Mas nunca pedi a sua preocupação encenada. Nunca precisei, assim como não preciso de você. Não me culpe, esta escolha foi sua. Eu odeio quando você demonstra interesse pelo que não te desperta a mínima curiosidade. E este sentimento também foi rigorosamente selecionado por você. Cansei de sentir sua falta e esperar. Eu queria me orgulhar, ter-te como exemplo, mas como? Foi você quem prometeu nunca me deixar e foi você que me abandonou na primeira oportunidade. Eu nunca esperei nada melhor que isso, mas eu queria ao menos ter o gostinho da ilusão. Eu queria que você fosse como os outros, um super-herói, o melhor amigo, mas tudo que eu tenho é alguém que mal sabe a minha cor predileta. Eu sinto falta, sabe?! De quando você me pegava no colo ou me colocava pra dormir. Não é ciúme nem nada, eu só acho que você está no lugar errado. O problema é que sua chance de estar no lugar certo passou. Eu cresci e uma boneca nova não vai mais me fazer sorrir. E não me culpe. Esta escolha foi sua.

sábado, 3 de janeiro de 2009

É de tanto querer...

Às vezes eu sou tão exigente que eu sinto preguiça de mim. Queria saber tudo e não sentir nada. Às vezes eu sou tão insensível que eu sinto pena de mim. Queria sentir tudo e não saber nada. Às vezes eu sou tão melodramática que eu não sinto nada por mim. Queria ser tudo e não perder nada. O pior é que eu não sei o que me faz sentir tudo e nunca precisar de nada (não o suficiente). Eu não sei o que me faz saber tudo e não ser nada. E ainda continuo não sabendo o que me faz perder tudo sem nunca ter tido nada. Eu queria ser complicada, descomplicando. Queria ser clara, escurecendo. Queria ser óbvia, instigando. Mas eu não sou. Eu não tenho. Eu não sei. Eu nem mesmo quero, mas ainda insisto: queria dizer sem falar, ser sem existir, ter sem pedir, sonhar sem dormir. Eu poderia ir além. Mas eu não quero poder, porque eu não quero querer!