quinta-feira, 17 de julho de 2008

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“O que eu estou fazendo aqui?” Foi o que passou pela sua cabeça naquele momento. Mas ninguém a responderia, ninguém nem mesmo percebia a sua presença. E ela sabia que precisava ir. Sabia que aquele não era o seu lugar. Mas alguma coisa a impedia. Tentou se mover, tentou ensaiar uns passos para a saída, mas não adiantou, suas pernas pareciam ter vida própria. Não conseguia entender. “Eu tenho que ir, eu tenho que sair daqui”. Ficava repetindo em voz baixa. Sentiu vontade de gritar, mas quem a ouviria? Eles nem mesmo podiam vê-la. A orquestra não parava. E aquela música a estava enlouquecendo. Mas por que parecia que, no meio de tanta gente, ela era a única que se incomodava? Todos pareciam bem e dançavam conforme a sinfonia tocada. Será que estava louca? Não. Ela não. Qualquer outra, mas não ela. E porque não era como eles? Por que aquela música a deixava tão desconfortável? E desde quando era tão completamente invisível? Talvez sempre tenha sido, mas nunca se sentiu afetada. Não como estava se sentindo aquela noite. Mas a vontade incontrolável de ir embora, agora estava sendo substituída por um certo conformismo e uma pontinha de curiosidade. As pernas não a obedeciam mesmo, que diferença faria continuar tentando? Provavelmente seria mais interessante ficar e observar. Tentar enxergar a diferença. A sutil diferença entres eles... e ela. Mas lembrou que havia esquecido seus óculos e sem eles, nada poderia ver. Então esperou. Esperou até que se cansassem. Até que a música se tornasse apenas mais um ruído aos seus ouvidos. Mas não aconteceu. Eles não pararam. Não se cansaram. Mas ela sim. Cansou de observar. Cansou da invisibilidade e das tentativas vãs de chegar à saída. Então, sem pensar muito, se juntou ao grupo. Se tornou um deles. E tudo que a incomodava antes, passou a fazer parte dela. A diferença desapareceu e ela nem mesmo pôde notar. Por que agora, agora ela era como eles.

3 comentários:

Pantoja disse...

essa ai é a nany dançando pagode!!

kkk biscate pagodeira!!

Metαmorfose ღ disse...

Ei, que calúnia é essa?

leonardo disse...

Quando não contestamos o que não nos agrada, desistimos de lutar pelos nossos ideais e nos conformamos pelo que nos é imposto, acabamos iguais a "aqueles" que nos incomodavam e que agora compartilhamos tantas semelhanças!